Wander Wildner, ex-integrante do Replicantes, veio em BH para o show de lançamento de "Dez Anos Bebendo Vinho" na festa de aniversário da Obra. Mas antes, ele fez um passeio turístico pelo Mercado Central, e nós fomos lá para entrevistá-lo. Depois uma volta pelas lojas e um tempo de conversa sobre gravadoras, música, e, claro, punk brega, esse foi o resultado...
Como surgiu o “Punk Brega”?O punk brega surgiu quando eu fiz o meu primeiro disco, e eu fiz o release para a imprensa. No release, eu disse que o disco era punk brega porque ele reunia duas influências que eu tive: a música brega da jovem guarda que eu ouvia quando era criança e adolescente e depois e o punk rock, que eu ouvi quando era dos Replicantes. Então eu falei que o disco era “punk brega”. Depois aconteceu do meu email ser punkbrega@hotmail. Eu tento achar outro nome para fazer um email novo e não consigo, todas as palavras que vou botar já tem, então eu continuo com esse punk brega. Mas eu não me defino como isso. Eu sou muito mais do que isso. Eu não vivo só fazendo música. Eu trabalho com outras coisas, eu faço outras coisas, com cinema, vídeo, produção de shows.
Você mesmo que produz seus shows?Nem todos. Eu tenho dois produtores que trabalham comigo. Um baixista que toca comigo lá no sul também produz alguns shows e eu produzo outros. Eu cuido da minha agenda. E eu tenho pessoas que conseguem show. Quando eu conheço as pessoas eu fecho, nos lugares novos eu passo pros produtores. Mas eu não sou só um cantor. Hoje eu trabalho muito com isso, mas não faço só isso. Eu vou gravar um disco novo no ano que vem e depois vou lançar um dvd com todo o material que eu tenho. E depois não sei se faço outro disco. Hoje eu vivo disso, mas eu faço muitas outras coisas. Tenho projetos de fazer filmes. Não em cinema que é muito caro, mas em vídeo. Estou trabalhando em dois roteiros.
Você mesmo produz seus clipes?Alguns. Prefiro passar para os meus amigos que trabalham com cinema e vídeo. Já produzi, já dirigi alguns, mas prefiro passar para os meus amigos porque assim vem uma idéia nova.
Como foi a escolha das músicas que foram para o cd 10 anos bebendo vinho?Eu não consegui botar todas as musicas que eu queria, porque eu tinha que conseguir as liberações. Algumas pessoas liberaram. Por exemplo, o Frank Jorge liberou “A Empregada”, Carlos Gerbase e Heron Heinz liberaram Hippie Punk Rajneesh... Mas a Trama, que lançou o “Buenos Dias!”, não liberou nenhuma música. Então não entrou nenhuma música do “Buenos Dias!” e não entrou “Um Lugar do Caralho”. O repertório era pra ter 20 músicas ao invés de 14. Como eu tinha que lançar o disco pra fazer shows, porque eu não tinha como gravar o disco novo, foi aquilo ali que saiu. Mas eu não me importo se tá completo ou não. Nunca nada vai estar completo.
Por que você é independente?Eu faço parcerias com pessoas do meu tamanho. Quando eu lancei "No ritmo da vida", uma coletânea na revista Outra Coisa, deu problema. Eles não pagaram o que tinham que me pagar. O Lobão combinou de me pagar R$1 por disco vendido. Quando eu fui cobrar, a mulher que me atendeu disse que tinha que descontar o break-even, que eu nem sabia o que era, nem tinha ouvido essa palavra. Ele nunca me disse isso. A gente não assinou contrato. Era um contrato verbal. Ele me disse que eu ia receber R$1 por disco vendido. Eu ingenuamente acreditei nele. Não recebi nada até hoje. Mas tenho um advogado para cobrar o que eu tenho para receber. No acústico MTV bandas gaúchas também. A Sony não fez nenhuma divulgação além. A única divulgação que teve foi a da MTV. Hoje eu tenho uma parceria com a Unimar Music, que prensa e vende os meus discos. Eu já lancei a minha coletânea, o dvd e uma coletânea dos Replicantes. Meu disco novo vai sair pela Unimar também.
O que você está ouvindo de música independente nacional?Jimi Joe é demais,
Stuart, que é uma banda de Blumenau que lançou um cd agora chamado “Necessidade não enche barriga”;
Repolho, uma banda de Chapecó, Santa Catarina, que tá lançando o segundo disco agora;
Walverdes, que é uma banda que eu adoro pra caramba;
Superguidis, uma banda de Guaíba, Porto Alegre, e pra mim é a banda mais bacana do Sul agora; tô louco pra ouvir o disco da
Biônica, que é a banda que eu mais gosto de São Paulo. Mulher em banda, ainda mais na bateria, fica sempre diferente. Eu ouço bandas com quem eu toco, que me dão cds.
Punk brega no Mercado Central